terça-feira, 28 de abril de 2026

FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALIDADE

 


A chamada Escala de Consciência de David R. Hawkins pode ser entendida como um mapa dos estados internos da experiência humana. Ela descreve como a consciência se contrai ou se expande de acordo com o estado emocional, mental e perceptivo em que a pessoa se encontra.

Na base dessa escala estão estados mais densos da experiência: vergonha, culpa, medo, raiva e orgulho. Nesses níveis, a consciência tende a operar em contração. A realidade é percebida de forma defensiva, fragmentada e centrada na sobrevivência emocional. O mundo é visto como ameaça, e a vida é vivida mais em reação do que em compreensão.
Nessa fase, há pouca clareza interna. As respostas são automáticas, e a percepção fica limitada ao que confirma medo, dor ou separação.
À medida que há deslocamento interno, surgem estados como coragem, neutralidade e aceitação. Aqui começa uma mudança importante: a pessoa deixa de reagir automaticamente e passa a observar antes de responder. Surge um espaço interno entre o que acontece e a forma como se responde.
Esse espaço é o início da maturidade emocional. É quando a consciência começa a ganhar mobilidade.
Em níveis mais elevados aparecem amor, alegria e paz. Esses estados não são apenas emoções passageiras, mas formas mais estáveis de percepção. A realidade deixa de ser interpretada apenas a partir da separação e passa a ser percebida com mais integração. O outro deixa de ser oposição e passa a ser parte do mesmo campo de existência.
No nível mais elevado descrito por Hawkins está a iluminação, entendida como um estado em que a sensação de separação entre o eu e o mundo se dissolve. A percepção se amplia para uma experiência de unidade, onde a vida não é mais observada de fora, mas compreendida como um todo em movimento.
O ponto mais importante desse modelo não é estabelecer hierarquias espirituais. A utilidade dele está na reflexão que provoca: a consciência não é fixa. Ela se move, muda, se expande e se contrai de acordo com estados internos, escolhas, pensamentos e formas de lidar com a vida.
Mais do que uma escala de níveis, isso pode ser visto como um convite à observação de si mesmo. Um convite para reconhecer onde há contração e onde há abertura. Onde há reação automática e onde já existe presença consciente.
Nesse processo, pensar, sentir e compreender deixam de ser funções separadas e passam a acontecer de forma integrada, como um fluxo único de consciência se tornando mais clara.
Também é importante compreender que não é necessário absorver a dor do outro para ser consciente ou empático. É possível compreender sem se fundir, ouvir sem carregar, estar presente sem perder o próprio centro.
A consciência madura reconhece o outro, mas não se dissolve no outro. Ela acolhe sem se anular.
Da mesma forma, ficar preso ao passado seja ele doloroso ou idealizado mantém a consciência em repetição. O que já aconteceu não existe mais como realidade viva, apenas como memória.
Quando há apego a culpa, arrependimento, raiva ou repetição constante do passado, a mente perde contato com o presente. E é no presente que a vida realmente acontece.
É no agora que a consciência se reorganiza. É no agora que há espaço para mudança real. E é no agora que a expansão se torna possível de forma gradual, consciente e contínua.

O MATUTO QUE SONHAVA EM SER REI DA ESPANHA - AUTOR : LINO SAPO - RN

 

TRÊS IRMÃOS EM CONFLITO (OU “A IGNORÂNCIA É QUE ATRAVANCA O PROGRESSO”)

 Tipo de armazém de Secos e Molhados da época, a semelhança do de Seu Cirilo

Seu Cirilo era um comerciante mulherengo. Não podia ver um rabo de saia deixando o mocotó saliente que endoidava. Perdia a cabeça de baixo e de cima. Em cada bairro onde tinha um armazém de Secos e Molhados, possuía um rabo-de-saia para “furar o couro” a cada dia da semana.

De todas as mulheres com quem teve “um caso extraconjugal público e duradouro”, só Dona Dóris teve três filhos dele, um macho e duas fêmeas. Até hoje não se sabe por que as outras “cadelas”, como ele pejorativamente as chamava, não embucharam…

Seu Cirilo não era agiota, mas desenvolveu um método infalível de se apossar das casas dos devedores do seu armazém: quando percebia que o devedor estava com a caderneta de débito a perigo, intimava-o a trazer “a escritura da casa” como garantia do débito e, quando este chegava a determinado patamar, pagava a diferença do valor do imóvel previamente combinado e expulsava o devedor. Por causa desse modo de pressão infalível, Seu Cirilo conseguiu angariar um patrimônio milionário que dava inveja a qualquer comerciante que começaram “por cima”, na redondeza.

Antes de se encantar, Seu Cirilo havia deixado dois imóveis “apalavrados” para cada filho. Três para a manteúda, fora os três armazéns de secos e molhados que, um ano depois de sua morte, fecharam as portas porque os filhos não se entendiam na condução gerencial dos mesmos. Não tinham “tino” para o negócio. Só queriam saber de cachaça e mulher.

Após a falência dos três armazéns por falta de gerenciamento, cada filho, de posse de suas casas e apartamentos dados verbalmente pelo pai em vida, tomou seu rumo na estrada, e passaram a se desentender cada vez que um falava para o outro que queria vender um imóvel “doado” pelo pai para tocar a vida. Nenhum assinava em favor do outro qualquer termo de anuência, renúncia, mesmo sabendo que isso era condição necessária para dirimir qualquer dúvida e dar segurança jurídica para quem estava comprando.

Interessante é que os filhos de Seu Cirilo viviam “socados” na igreja todos os sábados e domingos justamente orando às pessoas que estivessem passando por esse tipo de situação. ”Oh! Pai! Antecedei junto a teus filhos para que não haja desavença entre eles!” “Que eles vivam em harmonia! Amém!” – suplicavam ajoelhados!

Enquanto oravam para Deus para mostrar um caminho, Maria procurava João para que assinasse um termo de anuência e esse se negava terminantemente! João procurava Josefa para que assinasse um termo de concordância para ele vender a casa e esta dizia não! Josefa procurava João e Maria para que assinassem um termo de anuência e estes diziam também não! E assim foram levando a vida nessa discussão interminável, com um colocando a culpa no outro por não fechar o negócio. Enquanto isso os três armazéns pertencentes, em vida, a Seu Cirilo, o tempo ruiu. Até que um dia também Dona Dóris encantou-se e tiveram de procurar a Justiça para dividirem os bens deixados em vida pelos de cujus. Contrataram um advogado “especialista no assunto” e este, autorizado pelos três irmãos, ingressou na Justiça com a abertura do inventário.

O tempo passou e a Justiça sem dar um ponto final ao processo. A espera foi tanta que morreram João e Maria. Josefa caminhava para o paletó de madeira por causa do sério diabetes. “Vai chegar o dia em que, quando a Justiça disser ‘de quem é de quem na partilha’ até os netos terão viajado para a cidade de pés juntos!” – Sentenciou um vizinho gaiato que trabalhava no Tribunal de Justiça.

Bem feito para os três conflitantes que não chegaram a um consenso arbitral antes de procurar a Justiça, que no Brasil só não é lenta para quem é ladrão, assassino, criminoso, latrocida, estuprador, pedófilo e corrupto, porque tem a proteção dos “Urubus da Corte.”

Autor : CÍCERO TAVARES


sábado, 25 de abril de 2026

MULHER DE VERDADE!

 


– Você tornou-se uma consumista compulsória, tudo que você vê você quer. Hoje, um carro japonês, semana passada, aqueles brincos de esmeralda, maior vaidade, você só pensa em luxo e riqueza.

Reclamava Haroldo à esposa em tom ameno, paternal, como se estivesse ensinando alguma lição caseira à uma filha. Estavam casados há pouco tempo. Haroldo sentiu um carinho especial por Gracinha desde o dia em que ela bateu à porta do escritório recomendada pelo deputado amigo. Como funcionária era medíocre, entretanto, sua beleza, sensualidade, juventude e doçura encantaram o chefe. Com três meses de emprego eles já se uniam corpo a corpo. Haroldo, 65 anos, comanda a construtora, fiel às diretrizes do Planalto, sabe percorrer os tapetes de Brasília em busca de obras e dinheiro. Rico, bem de vida, sócio laranja do deputado.

O início foi difícil. Ao se formar em engenharia Haroldo abriu a construtora, trabalhar para si, sem patrão, era o sonho. Amélia, primeira esposa, deu-lhe ajuda na organização da empresa, deu-lhe apoio, carinho, e dois filhos. Cozinhava, lavava e de manhã cedo lhe acordava na hora de ir trabalhar. Foi o sustentáculo da família por muitos anos. Nada valeu quando o marido se engraçou e a trocou por uma jovem funcionária, 28 anos, Gracinha.

Estavam conversando na varanda do apartamento em frente à praia. Gracinha, cheia de vida, alegria e astúcia, sabia levar o marido.

– Meu querido, você mesmo pede que me arrume nas festas, faço sucesso nos salões e reuniões sociais. Detesto cozinha, entretanto, na cama você é a melhor testemunha, sabe perfeitamente que jamais arranjará outra igual, mereço seus presentes. Se está com saudade daquela mulher sem vaidade, que preparava seu café na hora de trabalhar, volte para ela.

Haroldo tinha um encantamento pela nova mulher, não contrariava a esposa, achava-a infantil, porém, dava tudo que ela pedia, compensação da idade, da libido minguando.

– Não quero voltar ao passado. É que você faz tanta exigência, não sabe o que é consciência, nem vê que não sou mais rapaz. Ainda trabalho duro para manter o conforto de nosso apartamento de nossa casa de praia. Para mim, mulher só existe uma, sem você eu não vivo em paz. – Abriu-se num sorriso.

Gracinha levantou-se, dirigiu-se à cadeira onde estava Haroldo, abaixou-se, deu-lhe um beijo no pescoço, o decote generoso mostrou a beleza do corpo. O marido se excitou. Ela sentou-se no colo, respondeu cochichando ao seu ouvido:

– Posso ser gastadeira, entretanto, sempre lhe honrei, oportunidade de trair já tive nesses dois anos de casados, muitas cantadas recebi. Nunca reclamei de nossa diferença de idade. Quando você tenta e às vezes não consegue, lhe vejo contrariado, eu consolo, o que há de fazer? Depois com carícias e prazer faço tudo acontecer, com toda vaidade, eu sou mulher de verdade.

Haroldo segurou-a firme, procurou seus lábios, num beijo prolongado se abraçaram se enlaçaram na cadeira. A Lua refletindo no mar e os carinhos da amada deram-lhe sensação de poder, confiança e segurança. Levantou-a pelos braços até a cama. Amaram-se com maestria de Gracinha. Sábia, intuitiva, havia nascida para amar.

Ao terminarem, deitados contemplando o teto do quarto, Gracinha, às gargalhadas, comunicou ao marido.

– Tenho uma surpresa, comprei meu presente do Dia Internacional das Mulheres, duas passagens para Nova York, lua de mel na semana santa. Preciso fazer umas comprinhas, renovar meu guarda-roupa.

Haroldo feliz, sorriu; recebeu um cheiro, dormiu.

domingo, 19 de abril de 2026

A CABAÇA E O POTE


Meizinha, suvaco, adijutoro, rapariga, disculhambação, cabra besta, gaiudo, gabolice, catá coquinho, vacuá e tantas outras falas são, não apenas o linguajar da roça vivido pelo matuto. Existe um universo muito grande envolvendo tudo isso.

Traduzir a coragem e a persistência – às vezes, até por ter consciência da impossibilidade de solução para apenas um problema – do matuto, aquele que realmente produz riqueza pela força do trabalho na agricultura e afins, é algo muito difícil.

Madrugar – acordar e levantar, quando o novo dia começa a clarear – não é apenas uma necessidade, é um hábito.

E escutar o galo cantar, a vaca mugir ou o berro dos cabritos é rotina. É o despertador da roça – para os abastados, na “fazenda”.

Era assim em Queimadas – povoado de Pacajus, no Ceará – quando o sol avermelhava o céu mostrando aquele colorido encorajador para Raimunda Buretama e os netos. Muitos netos. Nas férias escolares, mais de uma dúzia deles.

– Levante meu fii, se avexe e vamos buscar água prumode fazê o café e o dicumê!

Caminhar 12 Km (6 na ida e 6 na volta) pelas veredas para apanhar uma cabaça d´água não era coisa que uma criança entrando na adolescência gostasse de fazer. Mas era preciso fazer. Tinha que acontecer.

Eram duas caminhadas, o que acabava significando 24 Km por dia – “apenas para buscar água” – para uma casa com nove moradores. O banho ficava para a segunda viagem ou no fim da tarde, com a possibilidade improvável da garupa do jumento do Avô, depois que esse voltava da roça e precisava banhar e “dar de beber” ao animal.

Cinco, seis e até sete anos fazendo isso. Chovesse ou fizesse sol.

E aqui fazemos uma pausa para uma indagação – será que a água tem importância para uma família dessas?

Será que a transposição do São Francisco significa alguma coisa para várias famílias que vivem esse dilema?

Pote de largo uso sertanejo

Na casa, com cenário antigo por longos e longos anos, o abrir as cortinas mostrava um pote sobre uma trempe, ou, uma forquilha com três braços. Coador de morim amarrado na boca, para evitar a passagem de gravetos ou de martelos na água de beber. Ferver a água, nunca. A água só fervia quando era colocada no fogo, na lata de fazer café com um pedaço de rapadura para dissolver e adoçar.

Nos raros invernos, uma terrina de cimento servia como cisterna da água da chuva aparada na calha feita do sabiá (mimosa caesalpiniaefolia), uma madeira de grande serventia e aproveitamento no interior. A água ali depositada servia para aplacar a sede dos caprinos, das galinhas e outros animais domésticos criados para o abate e consumo da família nos momentos difíceis.

Nos anos 50, 60 e meados de 70, nenhuma residência do interior do estado tinha água tratada e canalizada – e isso significava dizer que esgoto ninguém conhecia naquelas paragens.

Fazia-se as “necessidades” num buraco feito no chão e a “assepsia” era feita com sabugo de milho ou folha de marmeleiro.

Hoje, acreditamos, tudo é diferente. Já não se faz necessário caminhar mais 24 Km e a cabaça e o pote foram praticamente abolidos, embora as casas permaneçam quase sempre as mesmas: paredes de estuque, chão de barro batido, fogão à lenha; portas fechadas com tramelas, apesar da crescente e preocupante violência urbana.

E dá uma saudade danada relembrar a caminhada diária de 24 Km. Dá uma saudade danada do bom, da ingenuidade, da coisa boa e, principalmente, da convivência e da unidade familiar – coisa que a tecnologia exterminou, trazendo junto a evolução.

Felizmente ainda é comum, nos povoados do interior, a “roça familiar” – batata doce, macaxeira, feijão, maxixe, quiabo, tomate, coentro, cebolinha verde e, nas Queimadas os primos e filhos dos primos nunca deixaram de preservar as moitas de mofumbo, arbusto preparado para a reprodução dos capotes – galinha d´angola.

Ali a tecnologia também chegou. Felizmente não conseguiu acabar com a tradição e sequer foi motivo para impulsionar mais uma “Revolução dos bichos”.

***Autor: José Ramos

DIA DOS POVOS INDÍGENAS (EX-DIA DO ÍNDIO) - 19 DE ABRIL


19 de abril | Dia dos Povos Indígenas (Dia do Índio)

O dia 19 de abril é uma data especial no Brasil, dedicada a reconhecer, valorizar e respeitar os povos indígenas — os primeiros habitantes desta terra, guardiões de uma sabedoria ancestral que atravessa gerações.

Muito mais do que uma simples comemoração, este dia é um convite à reflexão. É o momento de olhar com mais atenção para a rica diversidade cultural indígena: seus costumes, suas línguas, suas crenças e sua profunda conexão com a natureza. Cada povo indígena carrega consigo uma história única, marcada por resistência, luta e preservação de identidade.

Durante séculos, os povos indígenas enfrentaram desafios imensos, desde a colonização até os dias atuais. Mesmo assim, continuam firmes, mantendo vivas suas tradições e ensinando ao mundo lições valiosas sobre respeito ao meio ambiente, coletividade e harmonia com a vida.

Celebrar o Dia dos Povos Indígenas é reconhecer a importância desses povos na formação da cultura brasileira. É entender que suas contribuições vão muito além da história — estão presentes na nossa alimentação, na linguagem, na medicina natural e até na forma como enxergamos o mundo.

Mais do que homenagear, é preciso apoiar, proteger e dar voz aos povos indígenas, garantindo seus direitos e preservando suas terras e culturas.

Que o 19 de abril não seja apenas uma data no calendário, mas um compromisso contínuo de respeito, valorização e consciência.

Povos indígenas: raízes profundas que sustentam a alma do Brasil.

***Quer saber mais sobre os povos indígenas? Então, clique AQUI




Dança - Dia do Índio (Escola Marieta Cals)

ANEDOTAS & PIADAS #53