terça-feira, 28 de abril de 2026

FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALIDADE

 


A chamada Escala de Consciência de David R. Hawkins pode ser entendida como um mapa dos estados internos da experiência humana. Ela descreve como a consciência se contrai ou se expande de acordo com o estado emocional, mental e perceptivo em que a pessoa se encontra.

Na base dessa escala estão estados mais densos da experiência: vergonha, culpa, medo, raiva e orgulho. Nesses níveis, a consciência tende a operar em contração. A realidade é percebida de forma defensiva, fragmentada e centrada na sobrevivência emocional. O mundo é visto como ameaça, e a vida é vivida mais em reação do que em compreensão.
Nessa fase, há pouca clareza interna. As respostas são automáticas, e a percepção fica limitada ao que confirma medo, dor ou separação.
À medida que há deslocamento interno, surgem estados como coragem, neutralidade e aceitação. Aqui começa uma mudança importante: a pessoa deixa de reagir automaticamente e passa a observar antes de responder. Surge um espaço interno entre o que acontece e a forma como se responde.
Esse espaço é o início da maturidade emocional. É quando a consciência começa a ganhar mobilidade.
Em níveis mais elevados aparecem amor, alegria e paz. Esses estados não são apenas emoções passageiras, mas formas mais estáveis de percepção. A realidade deixa de ser interpretada apenas a partir da separação e passa a ser percebida com mais integração. O outro deixa de ser oposição e passa a ser parte do mesmo campo de existência.
No nível mais elevado descrito por Hawkins está a iluminação, entendida como um estado em que a sensação de separação entre o eu e o mundo se dissolve. A percepção se amplia para uma experiência de unidade, onde a vida não é mais observada de fora, mas compreendida como um todo em movimento.
O ponto mais importante desse modelo não é estabelecer hierarquias espirituais. A utilidade dele está na reflexão que provoca: a consciência não é fixa. Ela se move, muda, se expande e se contrai de acordo com estados internos, escolhas, pensamentos e formas de lidar com a vida.
Mais do que uma escala de níveis, isso pode ser visto como um convite à observação de si mesmo. Um convite para reconhecer onde há contração e onde há abertura. Onde há reação automática e onde já existe presença consciente.
Nesse processo, pensar, sentir e compreender deixam de ser funções separadas e passam a acontecer de forma integrada, como um fluxo único de consciência se tornando mais clara.
Também é importante compreender que não é necessário absorver a dor do outro para ser consciente ou empático. É possível compreender sem se fundir, ouvir sem carregar, estar presente sem perder o próprio centro.
A consciência madura reconhece o outro, mas não se dissolve no outro. Ela acolhe sem se anular.
Da mesma forma, ficar preso ao passado seja ele doloroso ou idealizado mantém a consciência em repetição. O que já aconteceu não existe mais como realidade viva, apenas como memória.
Quando há apego a culpa, arrependimento, raiva ou repetição constante do passado, a mente perde contato com o presente. E é no presente que a vida realmente acontece.
É no agora que a consciência se reorganiza. É no agora que há espaço para mudança real. E é no agora que a expansão se torna possível de forma gradual, consciente e contínua.

TRÊS IRMÃOS EM CONFLITO (OU “A IGNORÂNCIA É QUE ATRAVANCA O PROGRESSO”)

 Tipo de armazém de Secos e Molhados da época, a semelhança do de Seu Cirilo

Seu Cirilo era um comerciante mulherengo. Não podia ver um rabo de saia deixando o mocotó saliente que endoidava. Perdia a cabeça de baixo e de cima. Em cada bairro onde tinha um armazém de Secos e Molhados, possuía um rabo-de-saia para “furar o couro” a cada dia da semana.

De todas as mulheres com quem teve “um caso extraconjugal público e duradouro”, só Dona Dóris teve três filhos dele, um macho e duas fêmeas. Até hoje não se sabe por que as outras “cadelas”, como ele pejorativamente as chamava, não embucharam…

Seu Cirilo não era agiota, mas desenvolveu um método infalível de se apossar das casas dos devedores do seu armazém: quando percebia que o devedor estava com a caderneta de débito a perigo, intimava-o a trazer “a escritura da casa” como garantia do débito e, quando este chegava a determinado patamar, pagava a diferença do valor do imóvel previamente combinado e expulsava o devedor. Por causa desse modo de pressão infalível, Seu Cirilo conseguiu angariar um patrimônio milionário que dava inveja a qualquer comerciante que começaram “por cima”, na redondeza.

Antes de se encantar, Seu Cirilo havia deixado dois imóveis “apalavrados” para cada filho. Três para a manteúda, fora os três armazéns de secos e molhados que, um ano depois de sua morte, fecharam as portas porque os filhos não se entendiam na condução gerencial dos mesmos. Não tinham “tino” para o negócio. Só queriam saber de cachaça e mulher.

Após a falência dos três armazéns por falta de gerenciamento, cada filho, de posse de suas casas e apartamentos dados verbalmente pelo pai em vida, tomou seu rumo na estrada, e passaram a se desentender cada vez que um falava para o outro que queria vender um imóvel “doado” pelo pai para tocar a vida. Nenhum assinava em favor do outro qualquer termo de anuência, renúncia, mesmo sabendo que isso era condição necessária para dirimir qualquer dúvida e dar segurança jurídica para quem estava comprando.

Interessante é que os filhos de Seu Cirilo viviam “socados” na igreja todos os sábados e domingos justamente orando às pessoas que estivessem passando por esse tipo de situação. ”Oh! Pai! Antecedei junto a teus filhos para que não haja desavença entre eles!” “Que eles vivam em harmonia! Amém!” – suplicavam ajoelhados!

Enquanto oravam para Deus para mostrar um caminho, Maria procurava João para que assinasse um termo de anuência e esse se negava terminantemente! João procurava Josefa para que assinasse um termo de concordância para ele vender a casa e esta dizia não! Josefa procurava João e Maria para que assinassem um termo de anuência e estes diziam também não! E assim foram levando a vida nessa discussão interminável, com um colocando a culpa no outro por não fechar o negócio. Enquanto isso os três armazéns pertencentes, em vida, a Seu Cirilo, o tempo ruiu. Até que um dia também Dona Dóris encantou-se e tiveram de procurar a Justiça para dividirem os bens deixados em vida pelos de cujus. Contrataram um advogado “especialista no assunto” e este, autorizado pelos três irmãos, ingressou na Justiça com a abertura do inventário.

O tempo passou e a Justiça sem dar um ponto final ao processo. A espera foi tanta que morreram João e Maria. Josefa caminhava para o paletó de madeira por causa do sério diabetes. “Vai chegar o dia em que, quando a Justiça disser ‘de quem é de quem na partilha’ até os netos terão viajado para a cidade de pés juntos!” – Sentenciou um vizinho gaiato que trabalhava no Tribunal de Justiça.

Bem feito para os três conflitantes que não chegaram a um consenso arbitral antes de procurar a Justiça, que no Brasil só não é lenta para quem é ladrão, assassino, criminoso, latrocida, estuprador, pedófilo e corrupto, porque tem a proteção dos “Urubus da Corte.”

Autor : CÍCERO TAVARES


sábado, 25 de abril de 2026

MULHER DE VERDADE!

 


– Você tornou-se uma consumista compulsória, tudo que você vê você quer. Hoje, um carro japonês, semana passada, aqueles brincos de esmeralda, maior vaidade, você só pensa em luxo e riqueza.

Reclamava Haroldo à esposa em tom ameno, paternal, como se estivesse ensinando alguma lição caseira à uma filha. Estavam casados há pouco tempo. Haroldo sentiu um carinho especial por Gracinha desde o dia em que ela bateu à porta do escritório recomendada pelo deputado amigo. Como funcionária era medíocre, entretanto, sua beleza, sensualidade, juventude e doçura encantaram o chefe. Com três meses de emprego eles já se uniam corpo a corpo. Haroldo, 65 anos, comanda a construtora, fiel às diretrizes do Planalto, sabe percorrer os tapetes de Brasília em busca de obras e dinheiro. Rico, bem de vida, sócio laranja do deputado.

O início foi difícil. Ao se formar em engenharia Haroldo abriu a construtora, trabalhar para si, sem patrão, era o sonho. Amélia, primeira esposa, deu-lhe ajuda na organização da empresa, deu-lhe apoio, carinho, e dois filhos. Cozinhava, lavava e de manhã cedo lhe acordava na hora de ir trabalhar. Foi o sustentáculo da família por muitos anos. Nada valeu quando o marido se engraçou e a trocou por uma jovem funcionária, 28 anos, Gracinha.

Estavam conversando na varanda do apartamento em frente à praia. Gracinha, cheia de vida, alegria e astúcia, sabia levar o marido.

– Meu querido, você mesmo pede que me arrume nas festas, faço sucesso nos salões e reuniões sociais. Detesto cozinha, entretanto, na cama você é a melhor testemunha, sabe perfeitamente que jamais arranjará outra igual, mereço seus presentes. Se está com saudade daquela mulher sem vaidade, que preparava seu café na hora de trabalhar, volte para ela.

Haroldo tinha um encantamento pela nova mulher, não contrariava a esposa, achava-a infantil, porém, dava tudo que ela pedia, compensação da idade, da libido minguando.

– Não quero voltar ao passado. É que você faz tanta exigência, não sabe o que é consciência, nem vê que não sou mais rapaz. Ainda trabalho duro para manter o conforto de nosso apartamento de nossa casa de praia. Para mim, mulher só existe uma, sem você eu não vivo em paz. – Abriu-se num sorriso.

Gracinha levantou-se, dirigiu-se à cadeira onde estava Haroldo, abaixou-se, deu-lhe um beijo no pescoço, o decote generoso mostrou a beleza do corpo. O marido se excitou. Ela sentou-se no colo, respondeu cochichando ao seu ouvido:

– Posso ser gastadeira, entretanto, sempre lhe honrei, oportunidade de trair já tive nesses dois anos de casados, muitas cantadas recebi. Nunca reclamei de nossa diferença de idade. Quando você tenta e às vezes não consegue, lhe vejo contrariado, eu consolo, o que há de fazer? Depois com carícias e prazer faço tudo acontecer, com toda vaidade, eu sou mulher de verdade.

Haroldo segurou-a firme, procurou seus lábios, num beijo prolongado se abraçaram se enlaçaram na cadeira. A Lua refletindo no mar e os carinhos da amada deram-lhe sensação de poder, confiança e segurança. Levantou-a pelos braços até a cama. Amaram-se com maestria de Gracinha. Sábia, intuitiva, havia nascida para amar.

Ao terminarem, deitados contemplando o teto do quarto, Gracinha, às gargalhadas, comunicou ao marido.

– Tenho uma surpresa, comprei meu presente do Dia Internacional das Mulheres, duas passagens para Nova York, lua de mel na semana santa. Preciso fazer umas comprinhas, renovar meu guarda-roupa.

Haroldo feliz, sorriu; recebeu um cheiro, dormiu.

domingo, 19 de abril de 2026

A CABAÇA E O POTE


Meizinha, suvaco, adijutoro, rapariga, disculhambação, cabra besta, gaiudo, gabolice, catá coquinho, vacuá e tantas outras falas são, não apenas o linguajar da roça vivido pelo matuto. Existe um universo muito grande envolvendo tudo isso.

Traduzir a coragem e a persistência – às vezes, até por ter consciência da impossibilidade de solução para apenas um problema – do matuto, aquele que realmente produz riqueza pela força do trabalho na agricultura e afins, é algo muito difícil.

Madrugar – acordar e levantar, quando o novo dia começa a clarear – não é apenas uma necessidade, é um hábito.

E escutar o galo cantar, a vaca mugir ou o berro dos cabritos é rotina. É o despertador da roça – para os abastados, na “fazenda”.

Era assim em Queimadas – povoado de Pacajus, no Ceará – quando o sol avermelhava o céu mostrando aquele colorido encorajador para Raimunda Buretama e os netos. Muitos netos. Nas férias escolares, mais de uma dúzia deles.

– Levante meu fii, se avexe e vamos buscar água prumode fazê o café e o dicumê!

Caminhar 12 Km (6 na ida e 6 na volta) pelas veredas para apanhar uma cabaça d´água não era coisa que uma criança entrando na adolescência gostasse de fazer. Mas era preciso fazer. Tinha que acontecer.

Eram duas caminhadas, o que acabava significando 24 Km por dia – “apenas para buscar água” – para uma casa com nove moradores. O banho ficava para a segunda viagem ou no fim da tarde, com a possibilidade improvável da garupa do jumento do Avô, depois que esse voltava da roça e precisava banhar e “dar de beber” ao animal.

Cinco, seis e até sete anos fazendo isso. Chovesse ou fizesse sol.

E aqui fazemos uma pausa para uma indagação – será que a água tem importância para uma família dessas?

Será que a transposição do São Francisco significa alguma coisa para várias famílias que vivem esse dilema?

Pote de largo uso sertanejo

Na casa, com cenário antigo por longos e longos anos, o abrir as cortinas mostrava um pote sobre uma trempe, ou, uma forquilha com três braços. Coador de morim amarrado na boca, para evitar a passagem de gravetos ou de martelos na água de beber. Ferver a água, nunca. A água só fervia quando era colocada no fogo, na lata de fazer café com um pedaço de rapadura para dissolver e adoçar.

Nos raros invernos, uma terrina de cimento servia como cisterna da água da chuva aparada na calha feita do sabiá (mimosa caesalpiniaefolia), uma madeira de grande serventia e aproveitamento no interior. A água ali depositada servia para aplacar a sede dos caprinos, das galinhas e outros animais domésticos criados para o abate e consumo da família nos momentos difíceis.

Nos anos 50, 60 e meados de 70, nenhuma residência do interior do estado tinha água tratada e canalizada – e isso significava dizer que esgoto ninguém conhecia naquelas paragens.

Fazia-se as “necessidades” num buraco feito no chão e a “assepsia” era feita com sabugo de milho ou folha de marmeleiro.

Hoje, acreditamos, tudo é diferente. Já não se faz necessário caminhar mais 24 Km e a cabaça e o pote foram praticamente abolidos, embora as casas permaneçam quase sempre as mesmas: paredes de estuque, chão de barro batido, fogão à lenha; portas fechadas com tramelas, apesar da crescente e preocupante violência urbana.

E dá uma saudade danada relembrar a caminhada diária de 24 Km. Dá uma saudade danada do bom, da ingenuidade, da coisa boa e, principalmente, da convivência e da unidade familiar – coisa que a tecnologia exterminou, trazendo junto a evolução.

Felizmente ainda é comum, nos povoados do interior, a “roça familiar” – batata doce, macaxeira, feijão, maxixe, quiabo, tomate, coentro, cebolinha verde e, nas Queimadas os primos e filhos dos primos nunca deixaram de preservar as moitas de mofumbo, arbusto preparado para a reprodução dos capotes – galinha d´angola.

Ali a tecnologia também chegou. Felizmente não conseguiu acabar com a tradição e sequer foi motivo para impulsionar mais uma “Revolução dos bichos”.

***Autor: José Ramos

DIA DOS POVOS INDÍGENAS (EX-DIA DO ÍNDIO) - 19 DE ABRIL


19 de abril | Dia dos Povos Indígenas (Dia do Índio)

O dia 19 de abril é uma data especial no Brasil, dedicada a reconhecer, valorizar e respeitar os povos indígenas — os primeiros habitantes desta terra, guardiões de uma sabedoria ancestral que atravessa gerações.

Muito mais do que uma simples comemoração, este dia é um convite à reflexão. É o momento de olhar com mais atenção para a rica diversidade cultural indígena: seus costumes, suas línguas, suas crenças e sua profunda conexão com a natureza. Cada povo indígena carrega consigo uma história única, marcada por resistência, luta e preservação de identidade.

Durante séculos, os povos indígenas enfrentaram desafios imensos, desde a colonização até os dias atuais. Mesmo assim, continuam firmes, mantendo vivas suas tradições e ensinando ao mundo lições valiosas sobre respeito ao meio ambiente, coletividade e harmonia com a vida.

Celebrar o Dia dos Povos Indígenas é reconhecer a importância desses povos na formação da cultura brasileira. É entender que suas contribuições vão muito além da história — estão presentes na nossa alimentação, na linguagem, na medicina natural e até na forma como enxergamos o mundo.

Mais do que homenagear, é preciso apoiar, proteger e dar voz aos povos indígenas, garantindo seus direitos e preservando suas terras e culturas.

Que o 19 de abril não seja apenas uma data no calendário, mas um compromisso contínuo de respeito, valorização e consciência.

Povos indígenas: raízes profundas que sustentam a alma do Brasil.

***Quer saber mais sobre os povos indígenas? Então, clique AQUI




Dança - Dia do Índio (Escola Marieta Cals)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

BRASIL - UM PAÍS IRMÃO!

 


Ó Brasil meu querido povo irmão,

Estou convosco na dor sou solidário,

Que desgraça vos deu tal mortuário,

E tão grande rasto de destruição.


Tanta gente sem lar povo faminto,

Eu quero acreditar e ter esperança,

Que a ajuda não pecará por tardança,

Pesa-me esta dor que por vós sinto.

 

Tivesse eu uma forma de ajudar,

Mais que mostrar os sentimentos meus,

Num abraço sentido d’uma maneira,


Que ficou ofuscado o meu olhar,

Fecho os olhos doridos oro a Deus,

E escondo uma lágrima traiçoeira. 

(Casimiro Costa)

domingo, 12 de abril de 2026

O TREM QUE NÃO APITAVA NA CURVA


A velha Estação estava repleta. Lembro bem que era um dia de sábado e a manhã ainda estava pela metade.

Era, também, o segundo dia das férias escolares, e aqueles familiares ávidos pelos abraços fraternos dos filhos e netos que estudavam na capital deixavam perceber o nervosismo pelas conversas em alto tom e os elogios que faziam ao sucessos dos rebentos. Emoções descontroladas.

Empregados das casas de fazendas conduziam animais prontos para levar os estudantes aos seus aposentos. Outros conduziam apenas animais preparados para transportar as malas de bagagem.

De forma repentina, parecendo milagre, a máquina “Maria Fumaça” apontou na última curva antes da parada na Estação Marechal Rondon – nome dado em homenagem ao bravo brasileiro que tentou implantar o serviço ferroviário no interior do Brasil.

A máquina “Maria Fumaça” nunca apitava ao surgir naquela última curva. Era uma característica, embora não fosse proibido apitar – mas, aquelas nuvens de fumaça, algumas vezes, até que conseguiam substituir os apitos de aviso da chegada do comboio ferroviário.

A máquina encostava na Estação. De praxe, soltava aquela nuvem de fumaça e aquele vapor importante na propulsão do trem e os seis vagões arrefeciam. O trem parava. Algumas poucas portas que eram travadas durante o percurso (para evitar possíveis acidentes provocados pelas peraltices infantis) se abriam e alguns pais atônitos e movidos pela saudade se apressavam em ajudar os filhos no desembarque.


Avós e pais esperam filhos passageiros do trem

A partir daquele momento de desembarque, o sábado se tornava diferente, alegre, infantil.

Na casa grande sem senzala do povoado, Joaquim Albano tomara todas as providências antes de partir para a Estação acompanhado de dona Clarice para esperar os netos Carlos Augusto e Rafael – os dois estudavam no Colégio Militar com sede na capital.

Os meeiros e compadres Duda e Nonoca foram convidados, com ares de intimação, para ajudar nos preparativos da festa da chegada dos netos.

Cedinho ainda, tão logo chegara à casa grande, Duda recebeu ordens para abater aqueles dois porcos que, de tão grandes, sequer conseguiam se levantar para comer. Um bezerro que vivia entristecido pelos currais, também fora abatido. Nonoca foi encarregada de abater dez galinhas – cinco para preparar ao molho pardo (preferência de Carlos Augusto) e as outras cinco sem o molho (preferência de Rafael).

Malas desfeitas em meio aos muitos abraços e bênçãos. Conversas, afagos, elogios e as perguntas pela saúde e pelo crescimento no Colégio.

O banho e, em seguida, uma rápida espiada no horizonte da fazenda da Casa Grande que os olhos alcançavam. O chamado para o almoço – o lugar de Joaquim, continuava vazio. Clarice levanta, vai à procura dele, pois os netos e alguns poucos privilegiados com o convite estão famintos.

Clarice encontrou Joaquim deitado na cama. Não deitara por acaso. Necessidade. Desfalecimento. A morte chegara de repente, trazendo o infarto provocado pela demasiada alegria da reunião familiar.

– “Acudam”! Gritou Clarice, em desespero!

Os poucos empregados da casa acorreram, mas, infelizmente, não puderam mais fazer nada que não fosse cair em lamentações.

Todos deduziram que a alegria também pode matar.

O tempo passou. As férias que se prenunciavam boas, repentinamente se transformaram nos dias mais tristes para aqueles que viviam na Casa Grande – que jamais foi uma senzala.

A vida continuava para os que ficaram. Carlos Augusto e Rafael precisavam retornar ao Colégio. O movimento que envolvia a viagem de retorno para a Estação e da viagem até a capital foi diferente.

De hábito, além das lágrimas da partida, o apito choroso e demorado da “Maria Fumaça”, que nunca apitava na chegada, mas mostrava o quanto era triste a partida. Da máquina ou do homem.

Autor: José Ramos

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O BOM DO ALZHEIMER!

 


Aos 82 anos de idade, Francisco se casou com Maria, de 27 anos, que, em consideração ao marido tão idoso, decidiu que deveriam dormir em quartos separados. Assim, cada um ficaria mais à vontade na noite de núpcias.

Terminada a festa do casamento, cada um foi para o seu quarto. Maria se preparava para deitar quando ouviu uma batida forte na porta.

As batidas insistiam… Ao abrir a porta, ela se deparou com Francisco, aos 82 anos, pronto para entrar em ação.

Tudo correu bem após uma relação quente e vigorosa. Francisco despediu-se e voltou para o seu quarto.

Passados alguns minutos, Maria ouviu novas batidas na porta. Era Francisco, novamente pronto para outra ação.

Maria se surpreendeu, mas o deixou entrar. Terminada a relação, Francisco beijou Maria carinhosamente e se despediu, indo para o seu quarto.

Maria se preparava para dormir novamente quando escutou fortes batidas na porta. Espantada, abriu e se deparou com… Francisco! Mais do que pronto para a ação, com aspecto vigoroso e renovado.

E Maria disse, espantada e surpresa:

— Estou impressionada com o senhor, que, na sua idade, consegue repetir a relação com essa frequência… Já estive com homens com um terço da sua idade, e eles se contentavam com apenas uma vez. O senhor, Francisco, é um grande garanhão!

Desconcertado, Francisco perguntou:

— E eu já estive aqui antes?

BIG BROTHER, O QUE É?

 


 O QUE É O BIG BROTHER?

O Big Brother é um reality show de televisão que se tornou um dos formatos mais populares do mundo. A proposta do programa é simples e ao mesmo tempo fascinante: um grupo de pessoas (chamados de participantes ou “brothers”) é confinado em uma casa totalmente isolada do mundo exterior, sendo constantemente observado por câmeras e microfones, 24 horas por dia.

Durante o programa, os participantes convivem, enfrentam provas, formam alianças, discutem, criam estratégias e votam entre si para eliminar concorrentes. O último participante restante ganha um prêmio, geralmente em dinheiro.


🌍 ORIGEM DO BIG BROTHER

O formato Big Brother foi criado pelo produtor holandês John de Mol, fundador da empresa de televisão Endemol.

📍 País de origem: Holanda
📅 Ano de estreia: 1999

O nome do programa foi inspirado no personagem “Big Brother” do livro 1984, de George Orwell, onde uma entidade controla e vigia tudo o que as pessoas fazem — uma ideia que se conecta diretamente com o conceito do reality show.


🌎 EXPANSÃO PELO MUNDO

O sucesso do Big Brother foi tão grande que rapidamente se espalhou pelo planeta.

🌐 O formato já foi adaptado em mais de 70 países, incluindo:

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • Alemanha
  • Espanha
  • Itália
  • Índia
  • África do Sul
  • México
  • Portugal
    …entre muitos outros.

Cada país adapta o programa à sua cultura, mas mantém a essência do confinamento e eliminação.


🇧🇷 BIG BROTHER NO BRASIL (BBB)

No Brasil, o programa é conhecido como Big Brother Brasil (BBB) e é um dos realities mais assistidos da televisão.

📺 Emissora: TV Globo
📅 Estreia no Brasil: 2002

Desde então, o programa é exibido anualmente e se tornou um verdadeiro fenômeno cultural, gerando grande repercussão nas redes sociais, na mídia e no dia a dia dos brasileiros.


🔢 QUANTAS EDIÇÕES JÁ EXISTEM?

Até o momento (2026), o Brasil já teve:

📊 24 edições completas do Big Brother Brasil
(De 2002 até 2024, com continuidade anual)

👉 O BBB 25 (2025) e seguintes seguem mantendo o programa ativo, consolidando sua longevidade.


📡 EMISSORAS QUE TRANSMITIRAM

No Brasil, o Big Brother teve uma trajetória bastante estável:

  • 📺 TV Globo – transmissora oficial desde a primeira edição (2002 até hoje)

Além da TV aberta:

  • 📡 Multishow – exibição de conteúdos extras em alguns períodos
  • 💻 Globoplay – transmissão ao vivo 24h (pay-per-view digital)

Ou seja, a Globo sempre foi a casa oficial do BBB no Brasil, sem mudanças de emissora ao longo dos anos.


🎯 IMPACTO CULTURAL

O Big Brother não é apenas um programa de entretenimento — ele se tornou um fenômeno social. O reality influencia:

  • Moda
  • Linguagem popular
  • Redes sociais
  • Carreiras de influenciadores e artistas

Muitos participantes saem do programa famosos e seguem carreiras na mídia.


🧠 CONCLUSÃO

O Big Brother é muito mais do que um simples reality show. Ele é um experimento social televisionado, onde comportamento humano, estratégia, convivência e emoção se misturam diante dos olhos do público.

Criado na Holanda e expandido para o mundo inteiro, o programa conquistou milhões de fãs — e no Brasil, especialmente, virou tradição nacional.

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UFC


 A luta de UFC (Ultimate Fighting Championship) é um tipo de combate esportivo conhecido como MMA (Artes Marciais Mistas), onde os lutadores podem usar técnicas de várias modalidades de luta em um único confronto.

🥊 Como é a luta de UFC

A luta acontece dentro de um octógono (uma arena com 8 lados cercada por grades). Dois lutadores se enfrentam tentando vencer o adversário usando diferentes habilidades.

⚔️ Técnicas permitidas

Os lutadores podem usar uma combinação de estilos, como:

  • Boxe (socos)
  • Muay Thai (joelhadas, cotoveladas, chutes)
  • Jiu-jitsu (finalizações no chão)
  • Wrestling (quedas e controle)
  • Judô (projeções)

🧠 Estratégia da luta

A luta pode acontecer em três níveis:

  1. Em pé (striking) – trocação de golpes
  2. Clinch – luta agarrada em pé
  3. Chão (ground) – imobilizações e finalizações

⏱️ Duração

  • Lutas comuns: 3 rounds de 5 minutos
  • Lutas principais (main event ou título): 5 rounds de 5 minutos
  • Intervalo: 1 minuto entre rounds

🏆 Formas de vitória

Um lutador pode vencer por:

  • Nocaute (KO) – adversário apagado
  • Nocaute técnico (TKO) – árbitro interrompe
  • Finalização – adversário desiste (tap out)
  • Decisão dos juízes – após os rounds
  • Desqualificação – se houver falta grave

🚫 Golpes proibidos (exemplos)

  • Golpes na nuca
  • Dedos nos olhos
  • Mordidas
  • Chutes ou joelhadas na cabeça de adversário caído (em certas situações)

🧍‍♂️ Arbitragem

Um árbitro fica dentro do octógono para garantir a segurança dos lutadores e o cumprimento das regras.


📺 Resumindo

A luta de UFC é um esporte completo, que mistura força, técnica, resistência e inteligência. O lutador precisa saber lutar em pé e no chão, além de ter preparo físico e mental.

SÓ ALEGRIA!

 

UMA VELHINHA FOI AO GINECOLOGISTA E  AO EXAMINÁ-LA O MÉDICO DISSE:

-ENGRAÇADO...A SENHORA COM A CABEÇA TODA BRANQUINHA E AQUI EM BAIXO TÁ TUDO PRETINHO AINDA.

ELA RESPONDEU: -DOUTOR, NA CABEÇA SÓ TIVE PREOCUPAÇÃO, ENQUANTO QUE AÍ EM BAIXO SÓ TIVE ALEGRIA.


terça-feira, 7 de abril de 2026

SEU ZÉ BRAZ E O ASSALTO AO VIGIA

 

Seu Zé Braz havia acabado de acordar.

Na verdade, já se levantara, lavara o rosto, escovara os dentes, penteara os cabelos brancos e já rareando, puxando-os para trás, e esperava o café ser posto à mesa tamborilando com os dedos sobre a madeira do grande móvel.

Já havia até ido lá fora, na calçada, onde cumprimentara Seu Zé Dudu, fiel escudeiro.

O dia ainda não era de todo claro.

Mais duas horas e estaria subindo a rampa da Prefeitura; pois, era o nosso prefeito naquele tempo.

Olhava ao redor com o corpo encurvado, braços apoiados na mesa desde os cotovelos. Nu da cintura para cima, a calça presa à cintura por um cinto de couro cru na mesma cor dos chinelões nos pés, abaixo das pernas formando um xis. Observava as frutas no encerado à sua frente.

Uma a uma as comidas eram colocadas à mesa.

Quando se preparava para fazer seu prato, após a xícara haver recebido o café fumegante, Seu Zé Dudu entrou apressado pela porta larga dando para a cozinha.

– Seu Zé! Seu Zé!

– Diga, Zé. O que é que há? – perguntou Seu Zé Braz já reconhecendo certa impaciência do velho empregado.

Lá fora, na área da casa, um vigilante noturno andava inquieto de um lado para o outro.

Seu nome eu vou preferir omitir nessa história, a fim de preservar nossa amizade.

No entanto, deixem-me chamá-lo de Seu João Vigia, pondo-lhe esse apelido em respeito à sua pessoa que, até hoje, nega veementemente a narrativa.

Pois bem, voltando àquela manhã mal começada, com a barra se avermelhando no nascente…

– Seu João Vigia está aí fora. Disse que foi atacado ontem de noite – declarou Seu Zé Dudu.

Seu Zé Braz franziu a testa, passou a mão no rosto e ordenou que deixasse o vigilante entrar.

Da porta da cozinha mesmo Seu João Vigia foi se aperreando em falar.

– Seu Zé, agora de madrugada eu fui atacado por dois má-condutas.

– E foi, João? – perguntou seu Zé Braz sem se alterar. – Me conte aí, como foi isso.

– Seu Zé, eu estava dando a volta no prédio quando vi que dois cabras corpulentos tinham pulado o muro para o lado de dentro. Eram dois cabrões assim – explicou Seu João Vigia levantando-se nas pontas dos pés e suspendendo os ombros, com os braços abertos, enquanto arregalava os olhos.

– Eu gritei “quem ‘tá aí?”, mas não veio resposta. Nisso eu tirei o revolver da cintura e encampei caçada, porque vi quando dobraram para dentro de uma sala e…

– Zé Dudu, dê um copo de água a João. Ele parece ainda muito abalado – pediu Seu Zé Braz sem nenhuma alteração facial ou na voz. – Continue, João.

– … empurrei a porta com um chute. Daí, fui entrando na sala com muito cuidado. E fui entrando, e fui entrando – contava Seu João Vigia encenando seu andar, representando cada uma das passadas, desde o chute na porta.

Seu Zé Dudu chegou com o copo entregou na mão de Seu João Vigia. O homem tomou de um gole e continuou.

– Só que como eu entrei com o braço do revólver assim, ó, na frente, um dos sujeitos se agarrou no braço e outro me atacou pelas costas. Me botaram no chão, Seu Zé.

– E por certo lhe mataram – ironizou Seu Zé Braz.

João Vigia, sem perceber o sarcasmo do prefeito, gritou um “não, senhor!” como quem diz “Deus me livre!”.

Depois passou a narrar uma luta corporal pelo chão, fazendo os gestos, imitando as quedas e contando as palavras ditas pelos dois má-condutas.

– Eram dois? – perguntava o tempo todo Seu Zé Braz.

– Era! – respondia convicto o vigilante. – E não era gente de Acari, pois eu num reconheci nenhum!

E continuava a sua narrativa da briga no chão.

De vez em quando Seu Zé Braz perguntava:

– Eram dois má-condutas?

– Era! – respondia com seriedade o vigilante.

Após a briga ter sido contada três vezes, cada uma delas com o acréscimo de um novo elemento, Seu Zé Braz lhe interrompeu e perguntou:

– Mas e daí, João. Pelo que estou vendo não chegaram a lhe ferir. O que queriam esses dois má-condutas? – perguntou enfatizando o “má-condutas”.

– O revólver, Seu Zé! Não levaram um tostão! Nem meu, nem da gaveta do apurado.

– Apenas o revólver? – perguntou Seu Zé Braz abrindo um pão ao meio com os polegares. – Os dois má-condutas levaram só o revólver?

O vigia com os olhos arregalados balançou a cabeça afirmativamente.

– Tem certeza que os dois má-condutas levaram seu revólver?

O queixo do vigia subindo e abaixando.

Seu Zé Braz tomou o primeiro gole de café. Partiu um pedaço de queijo, pôs no pão, depois na boca, mastigou e engoliu.

Na cozinha reinava um silêncio inquietante. Seu João Vigia de pé, ao lado de Seu Zé Dudu.

– Zé Dudu, em cima da mesa ali na sala tem um pacote. Traga aqui – pediu Seu Zé Braz.

O empregado girou sobre os calcanhares e saiu. Quando voltou trazia um saco de papel com o nome de um supermercado. Entregou a Seu Zé Braz.

O prefeito estirou a mão com o saco, ao encontro de Seu João Vigia.

– Pegue João.

O vigilante deu um passo à frente e segurou o pacote.

– Abra, hômi!

Quando Seu João abriu a boca do saco e olhou para dentro, foi logo arregalando os olhos.

– Meu revólver, Seu Zé?! – perguntou espantado.

Seu Zé Braz engoliu o que tinha na boca, tomou um gole do café e respondeu.

– Ô Jõao, deixe de ser tão mentiroso, hômi. Eu fui de madrugada lá e você ‘tava dormindo. Chega roncava. Parecia um porco reclamando fome. E o sono era tão grande que eu tirei o revólver de sua cintura e você nem sentiu.

Novo silêncio na cozinha.

– Dois má-condutas. Rhum! Hômi, tome tento.

Seu Zé Dudu já estava se segurando na braguilha da calça, para não se mijar de tanto rir.

Seu João Vigia, coitado,
Até hoje é meu amigo
Mas quando falo no caso
Ele ameaça “eu me intrigo”
O seu nome verdadeiro
Não falo nem por dinheiro
E morro! Mas, eu não digo.

Autor : Jesus de Ritinha de Miúdo

APÓSTOLO FALANDO SOBRE COMBUSTÍVEL!