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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

PERMUTA IRREFUTÁVEL - JH2

Permuta Irrefutável


Permuta Irrefutável

Eruptiva saída; uma descolorida mortalha.
Visita resumida de uma estadia indecente... Gente!
Odisseia sem Ulisses, sem retorno, sem bagagem.
Só desgosto, ilusão, quimeras mil... Viu?

Um iminente jazigo; troféu merecido, amigo!
Inefável sentimento do dever não cumprido, sem perigo.
Sensação descontagiante, parvo caminho logo adiante... Avante?
Indolente jornada, estrela apagada; pífia caminhada, na madrugada?

Noutrora exaltada, cada vez mais esperada... Qual nada!
Submissão forçada, utópica, evasiva; uma estagnação formidável!
Injustificado o tardio e esplêndido fulgor... E o amor?
Expectativa inegável, de uma permuta irrefutável.
Minha brisa suave... Vem!

segunda-feira, 21 de julho de 2025

AÇOITE BY JH2


 Já passa de meia-noite

E não consigo dormir

Será que eu já fui?

Ou ainda tem açoite?

Bendita noite em que te conheci

Tudo era tão maravilhoso!

Mas o tempo passou

E nas nuvens negras te perdi

Será que tudo foi um sonho?

Ou epilepsia?

Sinto gelada a minha espinha dorsal

Tudo agora é tão medonho!

Olho para o céu azul carmim

Vejo nele tua face angelical

Sorrindo para mim

Preciso aprender a voar

Perdido ainda estou

Tenho que lhe reencontrar

(Borges, W.M.)

sábado, 19 de julho de 2025

UTOPIA - Poesia de Jonatan Silva - Declamado por Ary Guapirama



 A Utopia

Utopia é o sonho que ainda não ganhou morada.
É a terra invisível onde a justiça floresce, a paz reina, e todos os seres vivem como irmãos.
Não é um lugar no mapa, mas um espaço no coração de quem acredita no impossível.

Utopia é o farol que brilha no horizonte da humanidade.
Mesmo que jamais se alcance com os pés, ela guia os passos com esperança.
É o que move o poeta, o sábio, o humilde, o sonhador — todos aqueles que ousam imaginar um mundo melhor.

Falar de utopia é lembrar que a realidade não é o limite, mas o começo.
É acreditar que o amor pode vencer o ódio, que o bem pode superar o mal,
e que, mesmo em meio à dor, ainda há lugar para a ternura e a luz.

Utopia é o gesto simples que transforma.
É partilhar o pão, ouvir com o coração, sorrir com verdade.
É caminhar, mesmo que o caminho não esteja pronto.

Utopia não é ilusão. É direção.
É a bússola da alma que não se acomoda com a injustiça,
que se recusa a aceitar que o mundo seja apenas como é —
porque acredita naquilo que ele pode ser.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Todo Filho é Pai, na Morte de seu Pai - Autor Fabrício Carpinejar - Declamado por Ary Guapirama

 "Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.".

A expressão "Todo filho é pai na morte de seu pai" significa que, com a morte do pai, o filho assume um novo papel, uma nova responsabilidade. Ele se torna a figura paterna mais experiente, a referência para a família, e precisa lidar com a perda, a dor e as mudanças que a morte traz. 

A frase, popularizada pelo escritor Fabrício Carpinejar, reflete a ideia de que, com a morte do pai, o filho assume um papel de liderança e cuidado com a família, especialmente com a mãe, se ela estiver viva. É como se o filho, antes dependente do pai, agora se tornasse o porto seguro da família, o responsável por manter a estrutura e o equilíbrio. 

Essa mudança de papel pode ser dolorosa e desafiadora, mas também pode ser uma oportunidade para o filho crescer e amadurecer, aprendendo a lidar com a perda e a assumir novas responsabilidades. Além disso, a frase também pode ser interpretada como um lembrete de que todos os pais envelhecem e precisam do cuidado e do apoio de seus filhos, assim como os filhos precisam do apoio e cuidado dos pais durante a vida. 

(Fabrício Carpinejar)

Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida.

Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira: — Deixa que eu ajudo. Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo. Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrado: — Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

ANEDOTAS & PIADAS #53