sábado, 28 de março de 2026

A COZINHEIRA DE IPIOCA

 

– O que é isso Doutor? – Sussurrou Edileuza quando Adolfo beijou de leve seus lábios.

Há mais de dois meses ela foi contratada como cozinheira na casa de Dona Virgínia. Desde a hora que a viu, o patrão teve uma compulsão, atração irresistível a seus lábios carnudos, sensuais. Sentiu imensa vontade de beijar a morena de sorriso branco.

Adolfo desde que se aposentou entregou-se ao lazer, ao ócio. Todos os dias durante a tarde assiste a um filme na televisão ou entra no Facebook. Ler bons livros, tomar um uísque faz parte de suas predileções. Pelo menos uma vez por mês cumpre suas obrigações matrimoniais com Dona Virgínia, vida tranquila, despreocupada, saudável, mas monótona. Ao aparecer a nova empregada deu uma catarse em sua libido, vivia espreitando a jovem, olhando as pernas, o andar e principalmente sonhava com os lábios carnudos da morena.

Certo dia, surpreendeu Edileuza, antes de sair, roubando da geladeira pedaços de carne, frutas e verduras, colocou na bolsa sem perceber que o patrão olhava. Na hora da saída, Adolfo chamou-a mandou abrir a sacola, provas irrefutáveis, o fruto e as frutas do roubo. Ela começou a chorar pedindo por tudo, não dissesse à patroa, era a última vez, devolvia tudo, só tinha aquele emprego para sustentar duas filhas adolescentes, morava num casebre em Ipioca. Chorava, pedindo a Adolfo. Ele se conteve, deu-lhe vontade de abraçá-la. Prometeu não contar se jurasse nunca mais levar um palito da casa! Ela sorriu apertou, alisou a mão do patrão, olhou nos olhos, saiu apressada.

Dia seguinte ao encarar Adolfo, ela piscou o olho, foi um alívio, ficou grata ao patrão, continuou seu trabalho na cozinha. Ela percebeu os olhares pidões de Adolfo desde que chegou. Depois do flagrante, quando Dona Virgínia saía Edileuza ficava displicente nos modos de sentar, cruzar pernas, rebolar. Ao falar com o patrão olhava-o nos olhos, provocava-o, ele cada dia mais tentado a fazer uma besteira, o Diabo veste avental.

Numa sexta-feira, Virgínia foi encontrar-se com as amigas, Adolfo chegou da rua alegre, cantando, com fome de anteontem. Ao servir à mesa, uma excelente arabaiana frita, Edileuza abaixou-se mostrando o generoso decote estufado por dois melões morenos, o coroa respirou fundo.

Adolfo foi tomar o cafezinho na cozinha. Edileuza encheu a xícara, açúcar, entregou-a olhando para os olhos da patrão, bem perto um do outro. Adolfo não aguentou, deu um beijo leve em seus lábios. Ela sussurrou com um sorriso maroto – “O que é isso Doutor?” – Ele respondeu com o sangue a ferver, “É só um beijo, apenas um beijo, não se importe fica nisso”. Edileuza deu uma gargalhada contou um segredo – “Minha tia Zefinha costumava dizer: dá certo não com patrão.”

Adolfo deixou a xícara cair, abraçou a morena num ímpeto de jovem abocanhou os lábios mais gostosos, mais sensuais que já havia experimentado em todos os anos de vida. A morena, não se fez de rogada, sabia beijar melhor que qualquer artista de televisão. No chão da cozinha aconteceu a primeira vez. Tia Zefinha tinha razão. Ao terminar, ela despenteada, “o senhor é louco patrão”, cada qual para seu lado como se nada tivesse acontecido, Adolfo entrou no computador, Edileuza continuou a faxina na cozinha. No momento da saída, ele colocou uma nota de R$ 100,00 na bolsa da morena, para o ônibus. Prometeram não fazer mais em casa. Durante a semana num motel é mais apropriado.

Adolfo anda feliz, remoçou, vive de bem, tem maior cuidado, foi um acontecimento em sua vida monótona. Dona Virgínia contagiou-se com o bom humor do marido, anda feliz como nunca. Edileuza continua excelente cozinheira, maior respeito ao patrão, exceto nos momentos de amor numa tarde de folga no motel Star. Adolfo aumentou o salário da jovem em 80%. Acabou-se a vida monótona de todo dia igual aos outros. Espera a tarde de folga na quarta-feira, e passa horas agradáveis com a Cozinheira de Ipioca.

Autor: Carlito Lima

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