Lá vem ele, o gigante de crista de brasa, Com passos de ferro que tremem o chão, Não é apenas ave que habita uma casa, É um bicho de lenda, um pequeno dragão.
Suas penas são mantos de seda e de ouro, Refletindo o brilho de um sol matinal, Dono do pátio, guardião do tesouro, Um rei sem coroa, de porte real.
Quando estica o pescoço pro azul do infinito, O mundo silencia pra ouvir seu clamor, Não é um canto, é um brado, um grito, Que acorda a semente e desperta a flor.
As asas imensas, como velas de barco, Batendo o compasso de um tempo ancestral, Seu peito estufado desenha um arco, No palco de terra do seu quintal.
Ó galo gigante, de olhar justiceiro, Que mira o horizonte com tal prontidão, És a alma viva de todo o terreiro, O dono do tempo e do meu coração.
(JH2)

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