A ciência brasileira acaba de apresentar ao mundo um resultado histórico: pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, comprovaram em estudo clínico que a cannabis medicinal recupera parte da memória em pacientes com Alzheimer e desacelera a progressão da doença.
A pesquisa — considerada pioneira no mundo nesse tipo de ensaio clínico — foi realizada com 28 voluntários entre 60 e 80 anos ao longo de seis meses. Metade recebeu extrato de cannabis com doses minúsculas de THC e CBD, enquanto a outra metade tomou placebo. Ao final, os pacientes tratados com cannabis ganharam pontos nas escalas cognitivas e recuperaram memória, enquanto o grupo placebo seguiu o declínio natural da doença.
Um dos casos mais emocionantes é o de dona Nair, de 76 anos, diagnosticada com Alzheimer desde 2017. O filho relatou que ela era agitada, irritada e vivia em conflito antes do tratamento. Após receber o extrato, tornou-se mais tranquila, comunicativa e estável. "Só sinto pena de não termos feito isso antes", disse ele.
O estudo foi desenvolvido em parceria com a UFRGS, a Abrace e a renomada Johns Hopkins University, nos EUA. Os pesquisadores acreditam que os canabinóides estimulam mecanismos de restauração de células prejudicadas pelo avanço da doença.
Apesar dos resultados positivos, os cientistas reforçam que são necessários estudos com grupos maiores para consolidar as conclusões. O próximo passo é investigar se a cannabis pode até prevenir o surgimento da doença.

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